Decoradas. Lapidadas. Sobrepostas. Aparentemente básicas, mas nem tanto. As lentes são protagonistas dos óculos que – daqui pra frente – você vai experimentar na ótica mais próxima. “A gente está deixando de dar tanta importância para a armação. Alguns óculos, aliás, quase não têm armação, são basicamente lentes.”

A Marchon cria e produz óculos para 14 grifes – entre elas, Calvin Klein, Chloé, Diane von Furstenberg, Lacoste, Nautica, Nike e Salvatore Ferragamo. As coleções são pensadas num trabalho criativo entre as equipes de designers da fabricante e das marcas. Tanto que elementos vistos em roupas e sapatos vão parar nos acessórios para o rosto. No caso da Ferragamo, por exemplo, o salto Fiore, em formato de flor, já foi incorporado num modelo de óculos – no caso, uma flor desenha a lente.

E ainda nem falamos em cor. “Antes era preta, marrom, verde. Hoje, se vê também amarela, rosa, azul, violeta… Mesmo a Transitions, que fabrica lentes com grau, lançou mais três cores – âmbar, ametista e safira – para agradar os jovens. A francesa trabalha para que as lentes sejam aderidas como incremento de estilo.

Os modelos tradicionais também fazem seu investimento na parte mais importante dos óculos. É o caso da Calvin Klein, que, numa das criações, apresenta uma proposta geométrica, só que arrematada com uma lente violeta; e, em outro modelo, ao formato borboleta fazem um aceno ao retrô, bastante em voga.

O Retrô

Da Safilo (outro grande grupo, que é dona da Carrera e Polaroid, além de fabricar para Hugo Boss, Dior, Fendi, Givenchi, Havaianas, Marc Jacobs, Moschino, Pierre Cardin, Tommy Hilfiger e mais), o retrô em alta no estilo dos óculos que estão saindo dos ateliês. Ela lembra os anos 40 do século passado, quando o acessório era uma peça de moda, desenhado por estilistas. Àquela época, lentes grandes e em formato de borboleta eram comuns.

Até uns cinco anos, os óculos eram preto ou marrom; quadrado ou arredondado, porque se achava que o que vendia era isso, e que a pessoa não ia querer investir. Mas agora, a gente está mudando de ideia, voltando com leituras de óculos do passado.” Esse pretérito nem precisa ser tão distante – os anos 2000 já são reprocessados. Desses anos nem tão longínquos, vêm de novo “os óculos mais horizontais, estreitos, que brincam com geometria; e aqueles com transparências e sem aro, com a lente flutuante”, reforçando o foco na lente.

Armação Inovadora

As armações estão em segundo plano, mas há boa-nova, sim. A grife norte-americana Roav lançõu um modelo todo dobrável, a peça cabe no menor dos bolsos. Dobra-se, primeiro, as pontas das hastes, depois as laterais; por fim, o centro da armação. Não há parafuso algum, e sim uma estrutura de dobradiças, que confere durabilidade. Pesa apenas 130 g. É a cara de uma era supermoderna.