Em ritmo de Olimpíadas e com várias modalidades aquáticas como polo aquático, saltos e a natação vem a seguinte dúvida do título.

O artigo “Does Chlorine Affect Your Vision” (“Cloro pode afetar sua visão”), recentemente publicado pelo jornal norte-americano The Wall Street Journaloferece excelentes conselhos a nadadores sobre como evitar doenças nos olhos, como a conjuntivite. Para o físico e funcionário da área de saúde Ralph Morris, que analisa o artigo, tratar a água de piscina com cloro vai além de prevenir conjuntivite viral ou bacteriana. A ideia por trás do cloro é oferecer mais conforto aos olhos, à pele e ao sistema respiratório de quem vai nadar.

Morris diz, ainda, que com o pH entre 7.2 e 7.8 e com os níveis de cloro entre uma e três partes por milhão, tanto a eliminação dos germes quanto o conforto de quem está na água são otimizados. Por essa razão, é importante monitorar com frequência o PH da água e os níveis de cloro.

Água tratada pode matar germes na piscina, mas deixa seus olhos vulneráveis

Você passa o verão nadando e mergulhando na piscina, mas será que todo esse tempo em água tratada pode prejudicar seus olhos? A optometrista Glenda Secor, presidente da seção de lentes de contato e córnea da Associação Americana de Optometria (American Optometric Association’s) tem uma visão crítica sobre o tema.

Exposição de longo prazo

Pessoas têm contato com água clorada há gerações – na verdade, a água que sai da torneira de muitas comunidades é clorada. Ainda assim, nunca foram documentadas evidências de que a exposição contínua ao cloro diluído possa causar danos permanentes aos olhos, afirma Glenda Secor.

“O objetivo do cloro nas piscinas é reduzir a quantidade de germes para algo que possa ser suportado pelos olhos sem muitos danos”, diz a optometrista. “Mas existem diversos fatores que interferem na eficácia do cloro – quando foi adicionado à água, o volume em proporção à quantidade de água, o quão contaminada está a água, com que frequência a piscina é usada; quantas pessoas estão nela ao mesmo tempo. ” Tudo isso pode resultar em um alto número de germes.

No curto prazo

Expor-se à água tratada durante qualquer período pode afetar os olhos temporariamente, afirma Glenda. Segundo ela, quando a córnea é submersa na água, o filme lacrimal (camada que protege a córnea) é removido. Isso deixa os olhos vulneráveis às bactérias que continuam na água clorada, uma vez que algumas não são eliminadas pelo cloro normalmente usados em piscinas.

O filme lacrimal “é nosso mecanismo de defesa natural”, explica a optometrista. “A proteína das lágrimas ajuda a reduzir infecções causadas por germes que por ventura ainda vivam na água. Quando a camada é eliminada, a córnea fica vulnerável a qualquer coisa.”

De acordo com a especialista, nadadores podem ter infecções oculares originadas de bactérias presentes na água clorada. Conjuntivite viral ou bacteriana é a infecção mais comumente contraída em piscinas. “Os tratamentos usados em piscinas não necessariamente eliminam tudo o que vive na água”, diz Glenda.

Olhos vermelhos e irritação são reações típicas da submersão em água clorada. Outro efeito comum é a visão temporariamente embaçada, resultado da dilatação da córnea. Esses sintomas desaparecem rapidamente, assim que o filme lacrimal voltar ao normal – o que depende do tempo de exposição à água com cloro –, embora o processo possa levar mais tempo em pessoas mais velhas. “Colírios lubrificantes ajudam a eliminar dos olhos qualquer resíduo da água quimicamente tratada, além de reconstituir o filme lacrimal mais rapidamente”, explica a especialista.

Atenção às lentes

Usuários de lentes de contato enfrentam outros problemas, e o mais irrelevante é a perda delas. Existe também uma séria infecção ocular, chamada acanthamoebic keratitis, causada por uma determinada espécie de ameba, foi diagnosticada em pessoas que nadam usando lentes de contato, as quais podem absorver água ou prendê-la sob as lentes. A aacanthamoebic keratitis pode causar úlcera na córnea ou até mesmo cegueira. Sempre que nadar com lentes após o termino tirar as lentes de contato e enxaguá-las. Não se deve dormir com as lentes, mesmo se tiverem permissão para tal, caso tenham nadado em águas de qualquer espécie.

Óculos de proteção

O cloro da piscina se dissipa ao longo do tempo – no primeiro dia é mais forte que no sétimo –, e não há como saber sua intensidade na água, a não ser por meio de testes. Um modo de prevenir problemas é com o uso de óculos de proteção. Nadar com óculos de proteção vai manter o filme lacrimal protegido isso serve para o oceano pois a água salgada está cheia de contaminantes.

Fonte: The Wall Street Journal, sob o título “Burning Question: Does pool chlorine cause eye damage?”