A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: a obesidade infantil já é uma epidemia mundial. Segundo dados da OMS divulgados em 2017, o número de crianças e adolescentes (5-19 anos) obesos em todo o mundo aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas: 124 milhões de meninos e meninas são considerados obesos e outros 213 milhões com sobrepeso.

Além disso, pelo menos 41 milhões de crianças de até 5 anos de idade apresentam obesidade ou sobrepeso. O que poucas pessoas sabem, entretanto, é que a obesidade pode afetar diretamente a saúde dos olhos, inclusive na infância. Ela aumenta o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas. A presença de hipertensão ou diabetes, cronicamente, pode levar a retinopatia diabética ou hipertensiva. Existem também trabalhos científicos que mostram relação entre o aumento da pressão intraocular nas crianças obesas e o risco de instalação de glaucoma.

De acordo com os oftalmologistas, quando os pequenos são diagnosticados com hipertensão intracraniana relacionada à obesidade também podem desenvolver o que os especialistas chamam papiledema – um inchaço nos nervos ópticos, que tende a desenvolver uma atrofia progressiva e se não corrigida a tempo, pode ser irreversível. Sabe-se ainda que a obesidade cria um estado pró-inflamatório em todo o corpo, gerando grande produção de radicais livres, o que tem sido correlacionado, hoje em dia, ao afinamento na camada de fibras nervosas da retina por estresse oxidativo.

Os médicos asseguram que grande parte desses problemas poderiam ser minimizados com hábitos de alimentação saudável e a prática de atividade física regular, que auxiliam no controle da pressão intraocular e melhoram a oxigenação do olho. “A ingestão de antioxidantes tem papel importante na prevenção dos processos naturais de envelhecimento do corpo, o que inclui também o olho e suas estruturas mais nobres: córnea, cristalino, retina e nervo óptico”, reforçam.

Uma alimentação pobre em vitaminas, também pode comprometer a saúde ocular de crianças e adultos. Em setembro deste ano, um adolescente de 17 anos, no Reino Unido, perdeu a visão por causa de uma alimentação diária à base de batatas fritas, pão branco e fatias de presunto. Os exames clínicos mostraram que o jovem apresentava déficit sério de vitaminas e dano no nervo óptico provocado pela ausência de nutrientes. Como resultado, o rapaz teve o diagnóstico de perda progressiva da visão.

Por isso, os oftalmologistas orientam que os pais evitem oferecer às crianças alimentos de alto valor calórico e baixo valor nutritivo, como fast-foods e refrigerantes. O ideal é ter uma dieta rica em caroteno (precursor da vitamina A), geralmente encontrado em frutas e verduras com cores laranja e amarelos, como cenoura, mamão e etc.; aumentar a ingestão de ômega 3, presentes nos azeites e peixes; optar sempre por uma porção de alimentos ricos em ácido fólico e vitamina B12, como folhas verdes escuras (espinafre) e carnes (fígado de boi ou galinha); e acrescentar doses diárias de antioxidantes, como as castanhas. Todos em conjunto, consumidos de forma variada, regular e equilibrada são importantes aliados para a saúde dos fotorreceptores da retina e neurônios do nervo óptico.