Ao contrário do que acontece com o coração, o infarto ocular geralmente não causa dor.

O sintoma mais comum é uma súbita mudança no padrão de visão, ou mesmo a perda de visão. Essa perda de visão pode abranger todo o olho, mas nem sempre é assim. Alguns pacientes apresentam perda de visão periférica ou ainda pontos cegos espalhados pelo globo ocular. Mas, embora alguns quadros comecem mais sutis, a perda de visão vai piorando ao longo de horas ou dias até que a pessoa não enxergue mais nada. Como um dos sintomas do AVC (acidente vascular cerebral) também implica em perda de visão ou perturbação visual, vale a pena buscar ajuda imediata diante desse tipo de mudança no padrão de visão.

Assim como outros órgãos do corpo, os olhos dependem de um fluxo sanguíneo rico em oxigênio para funcionar corretamente. Seus nervos e tecidos mandam sinais para o cérebro a fim de criar uma imagem. A retina está localizada no fundo do olho e é um tecido que desempenha importante papel na formação das imagens, mandando sinais para o cérebro. Ela é repleta de artérias e veias que transportam sangue. Sendo assim, quando há qualquer bloqueio que comprometa o fluxo sanguíneo nessa região, a visão é afetada de tal forma que o paciente pode até ficar cego. Essa oclusão também é conhecida como infarto ocular.

De acordo com a American Academy of Ophthalmology, pessoas com mais de 60 anos têm risco aumentado para o infarto ocular, especialmente os homens. Neves afirma que algumas condições predispõem mais a essas oclusões. O principal fator de risco é o histórico familiar. Quando a pessoa tem parentes diretos, como pais e irmãos, que já sofreram infartos seja no coração, seja ocular, o risco é maior. Aterosclerose (formação de placas nas artérias), pressão alta, colesterol alto, doença coronariana, diabetes, dores no peito e glaucoma também são fatores de risco bastante conhecidos. Sendo assim, diante de um quadro de súbita perda visual, é fundamental procurar o pronto-socorro oftalmológico o quanto antes. Alguns testes serão realizados para confirmar ou não o infarto ocular, como a dilatação da pupila para enxergar a retina com mais clareza, aferição da pressão ocular e outros testes de visão que são completamente indolores.

O tratamento do infarto ocular, tem por objetivo atenuar os danos à retina e inclui desde o uso de medicamentos para dissolução dos coágulos de sangue até procedimentos para alargar as artérias da retina com inalação de gás. Seja como for, o importante é a prevenção desse tipo de ocorrência. Isso inclui cortar o fumo, controlar a pressão sanguínea e as taxas de glicose, colesterol e triglicérides, além de adotar hábitos mais saudáveis. Uma dieta equilibrada, exercícios regulares e boas noites de sono são grandes aliados da saúde ocular também.