A diabetes – doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz, alterando a quantidade de glicose no sangue. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 250 milhões de pessoas ao redor do globo têm a doença e a cada ano, sete milhões de indivíduos entram nessa lista. A Sociedade Brasileira de Diabetes já estima que 13 milhões de brasileiros, aproximadamente 7% da população do Brasil, possuem diabetes, sendo que metade não sabe que tem o problema.

Apesar de começar silenciosa, quase sem sintomas, a diabetes é muito perigosa, com sérias consequências. Entre elas, a Retinopatia Diabética (RD), que afeta os olhos e pode provocar lesões graves e até perda total da visão.

Existem duas formas de retinopatia diabética: exsudativa e proliferativa. A exsudativa ocorre quando as hemorragias e as gorduras afetam a mácula, necessária para a visão central, que é a utilizada para a leitura, por exemplo. Já a proliferativa surge quando a doença dos vasos sanguíneos da retina progride, proliferando novos vasos anormais, chamados “neovasos”. Estes novos vasos são extremamente frágeis e também podem sangrar. Além do sangramento, os neovasos podem proliferar para o interior do olho causando graus variados de destruição da retina e dificuldades de visão.

Ao fim de 15 anos a RD está presente em 97,5% dos diabéticos tipo 1 (67,5% na forma proliferativa) e em 77,8% dos diabéticos tipo 2 (15,5 % na forma proliferativa). Em 20 anos, o edema macular está presente em 29% dos diabéticos do tipo 1 e em 28% dos diabéticos tipo 2. Entre os fatores de risco estão a duração da diabetes, a idade, o valor da hemoglobina glicosilada e a tensão arterial. “O que constatamos é que a RD é reflexo do descaso e do descontrole do tratamento do diabetes, causados pelo sedentarismo, má alimentação, tabagismo e hipertensão.

Controlando todos estes fatores, o risco de desenvolver retinopatia diabética cai 50%.

Se a Retinopatia Diabética é identificada logo no estágio inicial, opta-se pelo tratamento com laser, que evita o progresso da doença e o surgimento de novos vazamentos. Em fases mais agudas, é necessário complementar o tratamento com injeções aplicadas no próprio globo ocular, a cada 30 dias, durante três meses.

As injeções favorecem a absorção de sangue e gordura infiltrados, corrigindo o dano. Outra possibilidade é a fazer a vitrectomia, uma microcirurgia que remove a hemorragia juntamente com o líquido vítreo (gelatina que preenche o olho), substituindo-o por outro líquido semelhante e transparente. “Como a Retinopatia Diabética é silenciosa, não provoca dores, o paciente não percebe que está doente. Em geral, o sintoma mais comum é a vista embaçada, que ocorre progressivamente e, às vezes, subitamente pela hemorragia vítrea. A perda visual pode ser um sintoma tardio. Por isso, o melhor tratamento da Retinopatia Diabética é a prevenção através de consulta oftalmológicas regulares.