Mais de 30 mil crianças brasileiras são cegas por falta de tratamento adequado.

O prejuízo no desenvolvimento visual na infância pode trazer consequências negativas para o resto da vida. Intolerância à luz, dor de cabeça, coceira nos olhos, falta de atenção, desinteresse por leitura ou ainda quando a criança se aproxima muito dos livros, da lousa ou da televisão para ver alguma imagem, por exemplo, são sinais que ela não está enxergando bem e deve visitar um especialista.

No Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que 33 mil crianças são cegas por doenças oculares que poderiam ter sido evitadas ou tratadas precocemente e que pelo menos 100 mil têm alguma deficiência visual. Entre os modos de prevenção, o teste do olhinho é simples, rápido e deve ser realizado ainda na maternidade em todos os recém-nascidos. Nesse teste observamos o reflexo das pupilas do bebê, a opacificação da córnea (leucoma), o cristalino, vítreo e verificamos ainda se há tumores, principalmente o retinoblastoma.

O teste do olhinho também diagnostica diversas doenças, como glaucoma congênito, caracterizado pelo aumento da pressão intraocular; e a catarata congênita, principal causa de cegueira na infância e frequentemente associada a doenças genéticas, tais como galactosemia e Síndrome de Down. Depois do teste do olhinho, recomenda-se exames complementares de seis em seis meses para acompanhar o desenvolvimento da criança.

Os oftalmologistas alertam que esses exames periódicos servem também para diagnosticar as principais causas de doenças oculares na infância, como a ambliopia ou olho preguiçoso, que consiste na diminuição da acuidade visual de um ou de ambos os olhos; estrabismo, distúrbio que afeta o paralelismo entre os dois olhos; e os erros de refração (miopia, astigmatismo e hipermetropia), principal causa de deficiência visual no Brasil durante a infância.

De acordo com dados do CBO, nos países da sub-região Amr-B, que inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Venezuela, existem 15 milhões de crianças em idade escolar com erros de refração e dificuldades para enxergar. Essas alterações, quando não corrigidas, podem ser ainda a causa de baixa autoestima, inserção social e mau desempenho escolar. Pais e professores podem ajudar observando os sintomas da criança e do adolescente explicam os médicos, que também chama atenção para os acidentes domésticos e brincadeiras muito comuns entre as crianças, mas que podem lesionar os olhos.

De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia, 41% das ocorrências oculares acontecem entre 10 e 14 anos, resultado de brincadeiras, como flechas, bastões e bolas. Não se deve brincar com objetos pontiagudos, para evitar o risco de perfuração dos olhos. Além disso, é importante que os responsáveis não deixem que a criança tenha acesso a produtos químicos ou materiais de limpeza, para não causar queimaduras na visão. Não utilizar piscina sem tratamento adequado também é recomendado”, alerta os oftalmologistas. Caso algum acidente aconteça, como cair algum produto químico no olho, o mais indicado é primeiro lavar os olhos em água corrente e procurar ajuda de um oftalmologista o mais rápido possível.