De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), os casos de infecções virais e bacterianas chegam a aumentar 46% no verão. Nessa época, é comum que a saúde ocular fique mais vulnerável devido à maior exposição ao sol, ao calor, ao vento, ao cloro das piscinas e ao contato com água contaminada. Esse conjunto de fatores facilita o aparecimento de inflamações e infecções e pode até piorar condições já existentes, como a catarata.
Entre os problemas mais frequentes neste período do ano, destaque a conjuntivite, ceratite, pterígio, fotoceratite, olho seco e alergias oculares, situações que podem comprometer significativamente o bem-estar e a visão de adultos e crianças.
Segundo Celso Cunha (CRM-MT 2934), médico oftalmologista e consultor da HOYA Vision Care – multinacional japonesa referência global em soluções ópticas de alta tecnologia -, é indispensável redobrar a atenção com a higienização, em especial das mãos das crianças. “É normal a criança levar a mão suja ao rosto e ao olho, o que contribui diretamente para a contaminação por vírus”, explica.
Principais doenças
A conjuntivite segue como uma das doenças mais comuns da estação. A condição, nada mais é que a inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a parte branca da frente dos olhos. Didaticamente, a conjuntivite pode ser, comumente, de três tipos, sendo viral, bacteriana e alérgica.
A de maior incidência é a viral, normalmente causada pelo adenovírus. Entre os sintomas da conjuntivite viral estão: sensação de areia nos olhos, lacrimejamento com uma secreção mais líquida e clara, quemose (inchaço na conjuntiva), edema palpebral, coceira inicial leve a moderada. Em alguns casos, também é possível apresentar linfonodos (ínguas) na região em volta da orelha.
Mais comuns nas crianças, a conjuntivite bacteriana apresenta como sintomas secreção amarelada, olhos bem avermelhados e, normalmente, não há coceira. Já a alérgica apresenta uma coceira intensa, com secreção clara, tipo muco, e hiperemia (aumento na circulação sanguínea) ocular leve.
Outras doenças comuns no verão
Outra enfermidade comum que acomete a visão é a ceratite, inflamação da córnea, que pode surgir devido à exposição intensa ao sol, uso inadequado de lentes de contato ou contato dos olhos com água contaminada presente em piscinas e no mar. Outro problema típico do verão é o pterígio, um crescimento anormal de tecido na córnea que se agrava com a radiação solar e o vento.
A fotoceratite, conhecida como “queimadura de sol” nos olhos, também pode ocorrer após exposição sem proteção adequada, gerando dor intensa e forte sensibilidade à luz. “Além disso, o olho seco tende a piorar com o calor e o uso de ar-condicionado, enquanto alergias oculares se intensificam devido a agentes como pólen, mofo e pelos de animais”, complementa o oftalmologista.
Os principais gatilhos para essas condições incluem a radiação UV, que nas superfícies aquáticas e areia são significativamente aumentadas pela reflexão do UV nessas superfícies, capaz de acelerar o envelhecimento ocular e aumentar o risco de catarata e degeneração macular relacionada à idade (DMRI) a água de piscinas e do mar, que pode conter cloro, sal e microrganismos irritantes além de alérgenos como poeira e mofo. Fatores ambientais como o ar seco, areia de praias e poluição também contribuem para irritações e inflamações oculares.
Para prevenir esses problemas, consultor da HOYA Vision Care reforça a importância de alguns cuidados. O uso de óculos de sol com proteção UVA e UVB é fundamental para evitar danos causados pela radiação. Nem todos os óculos escuros filtram os raios UV, daí a importância em obter óculos solares de boa procedência. Também é indicado evitar a exposição solar entre 10h e 15h, horário de maior intensidade dos raios solares.
“Medidas de higiene, como não levar as mãos aos olhos, não compartilhar objetos pessoais e evitar o uso de lentes de contato na água, reduzem significativamente o risco de infecções”, reforça.
A hidratação ocular, com lágrimas artificiais e colírios lubrificantes sempre prescritos por um médico, ajuda a aliviar as irritações. Já em piscinas e no mar, recomenda-se o uso de óculos de natação ou mergulho para evitar contato direto com agentes irritantes.
Procure atendimento especializado
A orientação é procurar um oftalmologista imediatamente em casos de dor persistente, vermelhidão intensa, secreção purulenta, visão turva ou sensibilidade extrema à luz. “O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e garantir a saúde ocular durante toda a estação”, enfatiza o oftalmologista.
Manter a saúde ocular em dia durante o verão é essencial para prevenir desconfortos e evitar complicações que podem comprometer a visão. Medidas simples, como proteção solar adequada, boa higiene e cuidado redobrado em locais como praias e piscinas, ajudam a reduzir riscos. Ao identificar sinais precoces e buscar orientação profissional, é possível garantir um verão mais seguro. Esses cuidados asseguram bem-estar, prevenção e qualidade de vida para toda a família.




